Sapatos de Mulher

Em silêncio eu vou para o banho, depois que meu amante se vai. Magoada. Ele disse que talvez fosse nossa última transa, pois está voltando para sua ex-mulher e quer se tornar um homem fiel. Fiel? Poderia suportar qualquer coisa de um macho de verdade. Mas fidelidade? Não. Decepcionada. Homens fiéis são desinteressantes.

Não vou me banhar. Vou esperar meu marido chegar, minha filha dormir, e farei amor com ele, já que não faço há semanas. Sei que não vou sentir prazer, estou toda ardida, e mal vou sentir o tamanho do pênis dele comparado ao de meu agora ex-amante.


Mas vou deixá-lo me penetrar, trôpego e sem ritmo em papai-e-mamãe, até gozar rapidamente, como sempre, e com os olhos perdidos no horizonte, beijar seu pescoço e dizer que o amo. Vou deixar ele tremer, misturando suas duas ou três gotas de esperma no quase meio copo de sêmen denso e quente que meu agora ex-amante geralmente despeja dentro de mim. E isso eu nunca faço. Mas farei. Farei por que estou magoada.

Meu marido vai adormecer assim, entre minhas pernas, sem ter me dado um beijo na boca, pois negarei os beijos. Estou com gosto de esperma na boca, chupei meu agora ex-amante logo depois de gozar dentro de mim. E foi enquanto eu chupava ele que ele me contou de sua decisão. Engoli as minhas lágrimas junto com as ultimas gotas de esperma que sugava da uretra dele.

Meu marido vai ser delicadamente colocado ao meu lado, já adormecido. Não o terei beijado para que não sinta o gosto. Hoje quero que ele se sinta único, mesmo que jamais seja. E direi novamente que o amo, mas desviando o rosto, para que caso ele esteja acordado, não sinta meu hálito ácido de sêmen alheio.

Vou caminhando nua para o banheiro, para me banhar, pois me sinto imunda. No caminho vou parar no quarto da minha filha, que já dorme, e dar-lhe um beijo de boa noite. Fico parada, olhando me anjo dormindo, e pensando no quanto o mundo é cruel com nós, mulheres, e nos faz assim, tão sentimentais e selvagens. Capazes de amar de forma impossível homens que não merecem. Espero que ela saiba lidar com isso melhor que eu quando for adulta. E vou para o banheiro.

Mas quase escorrego, pois fiz uma pequena poça de esperma que escorria de dentro de mim quando estava parada distraída, e saio pisando descalça pelo corredor, levando pequenas marcas úmidas até o banheiro. Já chego lá grudenta.

No banho, a água vai cair, e deixo levar as gotas de minhas lágrimas. As gotas jorradas pra dentro de mim. Ali, eu serei uma mulher só. Não serei mãe. Não serei esposa. Nem puta. Apenas uma mulher solitária no chuveiro, deixando escorrerem os fluídos de mim, até me sentir um pouco menos suja. 

Amanhã, quando eu entrar no motel com outro, lembrarei de pedir pela centésima vez: "Não quero saber seu nome, não me diga. Apenas me foda sem me fazer gostar nem gozar, me dê um tapa na cara, e me mande voltar para casa e cuidar de minha família. Mas deixe seu telefone anotado num pedaço de papel. Se for como imagino, posso precisar que isso aconteça outras vezes nas próximas semanas. 

Mas por favor, que os tapas não sejam tão fortes. O último terá deixado meu rosto marcado tempo demais, e eu terei que ter inventado uma desculpa esfarrapada demais em casa.

E ficarei desconcertada acordar tarde e achar o bilhete de meu marido:
"Meu amor, evite deixar os sapatos no banheiro com suas calcinhas usadas. Sabes que nossa filha adora colocar eles e sair tropeçando pela casa. Te amo."

12 comentários:

  1. Sonho com o dia em que eu encontre uma mulher tão fascinante quanto você Baronesa, mesmo sabendo que isso é praticamente impossível. Fiquei muito feliz de poder ler novamente um texto seu aqui.

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  2. Cada post é único! E cada vez mais surpreendente...o mulher pra ter histórias. E provavelmente não conhecemos nem um porcento delas.

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  3. Insuperável, inconsequente e pervertida. Adoro a maneira como descreve seus pensamentos, sua rotinas, suas historias... Parabéns e continue postando cada vez mais.

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  4. Sensacional Baronesa, voce é D+...

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  5. saudades dos seus textos Baronesa, pena q vc nao responde mais meus emails...:(

    MilfCarioca

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  6. Uhhuuuuu a volta da Baronesa

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  7. Toda vez que cita sua filha lembro de um post seu. A safadeza é genética

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  8. Que bom que retornou, Baronesa. As vezes sinto-me desse mesmo jeito. Perdendo aquilo que outrora estava sob meu domínio. Mas as vezes perco a mim mesmo dentro da doce agonia do prazer, embriagado de tesão e sedento por aquilo que eu quero, e que não é permitido a mais ninguém... Só a quem, de fato, se permite.

    Um caloroso abraço de Heitor

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  9. Ainda bem que sempre tem outro homem disposto a tomar o lugar dos que se foram ;)

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