A primeira camisinha

 Pra quem acompanha o blog desde o início, minha iniciação sexual bastante prematura não é novidade. E não cabe aqui discussão moral sobre isso, sei que minha vida foi um acidente de percurso como um monte de outros de que as pessoas tem notícia, mas raramente admitem.

Quase todo mundo já ouviu falar da menina promíscua da escola, que os meninos fazem fila para comer em algum canto escondido do prédio ou dos matos ao redor (no meu tempo, escolas retiradas, ainda existiam enormes espaços externos, poços artesianos e coisas do tipo). Pois bem, o destino se encarregou de me fazer ser essa menina. E havia outras como eu. A maioria delas não se deu nada bem na vida, em sentido nenhum.

Mas cresci, me tornei uma mulher bem sucedida, me tornei mãe de uma linda menina, e esposa de um bom marido. Segui promíscua, e talvez por alguma compensação, me tornei uma mulher infiel por opção. E escolhi para dividir a vida o homem que na imaturidade de nossa pouquíssima idade, ainda menina, dividia o meu corpo. Ele me amava mesmo vendo diante dos olhos dele, mais de um terço dos meninos de nossa escola me usarem com um brinquedo imundo no recreio. Ele me olhava com tristeza e amor. No fundo, queria me ver fora daquilo, mas talvez nunca tivesse sequer me olhado se não estivesse ali.

Bem, agora que contei parte dessa história novamente, vou responder a pergunta do Dr. L, de BH, que parece ter se preocupado muito quando me enviou o e-mail, identificando até sua especialidade médica ao me questionar sobre a "segurança" de minhas "brincadeiras".

"Vi que relata suas experiências como uma habilidosa blogueira de contos eróticos. E não me cabe questionar a veracidade de seus relatos, entretanto é importante mencionar que raramente você menciona uso de camisinha, ainda mais quando conta sobre sua iniciação com um grupo de parceiros. Já pensou que pode estar dando um péssimo exemplo para jovens que leiam sei blog"?
(Dr. L - BH).

Obrigado pelas palavras de apoio, Dr. L, e o senhor tem razão. Não sou nem de longe um bom exemplo. Pois relato realidades que não são nada morais. São apenas REAIS.

Não iniciei minha vida sexual usando camisinha por uma razão muito simples: Naquela época, anos 80, camisinhas não eram vendidas com facilidade nas farmácias. Meninos não tinham nem coragem, nem um pênis com o tamanho que coubesse numa camisinha. Elas praticamente não existiam.

E eu, no auge de minha imaturidade, não tinha o menor controle sobre isso. Imagine você um grupo de uma dezena de meninos afoitos, ansiosos e arteiros, formando um pequeno tumulto atrás de sua bunda, enquanto você está apoiada sobre o tampo de um poço. Imagine que você não sabe quantas mãos estão em você, umas abrindo suas nádegas, outras apalpando seu corpo. Imagine que dedos, objetos indefinidos, são introduzidos no seu ânus, em meio a risadas frenéticas, e uma indiferente truculência.

De vez em quando eu conseguia identificar quando era um pênis, pois era mais quente, e tinha movimentos mais regulares. Mas depois do quarto ou quinto garoto, eu já não identificava mais as sensações, somente os movimentos.

Havia dias em que conseguiam estabelecer uma regra: "não acabar dentro", para que aquele divertido "buraco de foder" ficasse "limpo" por mais tempo. Alguns tinha nojo do gozo uns dos outros. Outros, pareciam preferir, e ficavam por ultimo. Dá pra imaginar, Dr. L, o tamanho do risco de doenças ali, não é mesmo?

Não sei o tamanho de minha sorte, que me fez chegar completamente saudável, sem jamais pegar qualquer tipo de doença, até o presente momento.

Acho que não gosto de falar da camisinha, por que a primeira que vi, certamente não foi a melhor experiência.

Professor J., flagrou esta cena que descrevi, ainda nos primeiros meses em que isso ocorria regularmente, quase semanalmente. Depois de repreender a todos, e me levar para a secretaria, logo que a aula começou e todos sumiram dos pátios, ele me levou lá novamente, dizendo que queria que eu contasse tudo que acontecia. Era estranho, pois eu sabia que ele sabia.

"Foi aqui que eles te colocaram"? - Já me colocando de bruços sobre o poço. -"Aqui que eles mexiam? O que tem aqui? Machucaram você?" - A dor era aguda e rasgada, pois ele custou a perceber que não era na minha vagina virgem que eles brincavam. Era impossível penetrar minha vagina, aprendi a me contrair de forma invencível por causa daqueles meninos afoitos que não conseguiam coordenar isso.

Quando o professor J. se calou, eu respirei fundo. E dali, só lembro da respiração ofegante dele. Solavancos e meus olhos fechados.

A camisinha me marcou por que vi ele a retirando, parecia um pedaço de pele saindo, fiquei com muito nojo. Nojo e medo, pois ali, sem qualquer cerimônia, tive minha inocência oral devassada. Cheguei a desejas quer ele fizesse tudo de novo, só pra tirar aquilo da minha boca. Ele parou quando eu vomitei. Fiquei olhando a camisinha jogada ao lado, com um certo horror. Não dos fatos, aquilo para mim era quase normal. Mas aquela coisa nojenta, que parecia um pedaço de pele, lembro nitidamente de meu nojo.

Dali fui para mais uma aula normal.

Devo ter levado mais de um ano para ver uma camisinha novamente, Dr. L. Se uma coisa dessas ocorresse hoje, certamente teríamos um enorme grupo de pessoas doentes, com muitas DSTs e provavelmente HIV. Acho que cabe sermos mais vigilantes com nossos jovens e crianças, pois se seguirmos ignorando o fato de que eles se descobrem por eles mesmos, estaremos os deixando à mercê de riscos como os que corri, e tragédias das quais não me orgulho de ter vivido.

Dr. L, eu estou muito bem, obrigada. Agradeço pela sua preocupação, e parabéns pelo seu trabalho de conscientização.

2 comentários:

  1. Incrível o seu blog e suas histórias.. são realmente muito excitantes.

    Venho sempre aqui... ótimos relatos, adoro todos.

    Tem certos momentos que o politicamente correto não cabe.

    Quem nunca trepou sem camisinha, que atire a primeira pedra.

    Na hora do tesão...é difícil ser racional, e no seu caso, uma menina "inocente", não dava mesmo.

    Tesão de texto!

    Beijos


    Marcelo

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  2. Boa noite Baronesa,

    Sua historia me fez lembrar de que quando em minha pé adolescencia eu vestia uma camisola de minha mae e brincava com meu irmão 2 anos mais velho e seus amigos de médico. Ele mal me tocava, mas monitorava os amigos para evitar abusos, afinal eu era virgem. Os rapazesmal metiam em mim, eram meio bobos, se masturbavam, passavam a mão, colocavam dedos em minha bundinha, pegavam meus pequenos seios e gozavam em mim. Nessa hora, quem se lembrava de camisinhas? Bjs Mayara

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