Aquele dia de fúria não poderia ser diferente. O peito palpitava, naquele momento. Eu já quase perdia a conta, já não lembrava mais de nomes, e por pouco, conseguia assimilar em que local estava. Há pouco, antes de estar ali, naquela cama quase estranha, havia descido de um taxi sem saber direito em que rua estava. O olhar safado do taxista parecia denunciar que havia acabado de fazer sexo com a passageira que deixava. Um certo olhar de desdém misturado ao de orgulho. Homem baixo, feio, sem atrativo algum, mas que acabara de sair de um motel barato de volta de rodoviária, onde putas sujas e feias entram com 'clientes' bastante proporcionais a elas.

Ele apenas fez o que tinha que fazer. E como fomos parar ali? Nem sei dizer direito. Eu saia da casa daquele que já havia sido o terceiro homem daquela tarde. Quinto ou sexto na agenda do telefone, que comecei a repassar para ver até onde eu seria capaz de ir, simplesmente dando para qualquer homem que aceitasse passar alguma hora comigo, usando-me como uma qualquer. E para de lá, ir para outro lugar, tomei aquele taxi. A cantada foi nojenta, e como a "Dona" não respondeu nada quando ele perguntou se "uma passadinha num 'quartinho'" parecia interessante, ele saiu da rota, e levou para lá. E lá, só lembro de alguns minutos de gemidos e trancos sem rítmo, onde ele ejaculou berrando dentro de uma camisinha que sobrava naquele membro pequeno e semi-mole. Agora, eu deixava seu taxi, dando-lhe uma nota de R$50,00, diante de um olhar incrédulo. Por certo achou que eu não pagaria a corrida pelo "favor" que lhe fiz. Mas sabia, estava fazendo-me ele o favor, de colocar-me onde queria me sentir: No lixo.

Não me demorei. Eu estava fedendo a suor de homens nojentos. 

Ainda teria mais alguns, quantos eu aguentasse, pela decorrer da tarde. E mal cheguei à frente da porta do prédio, já a vi abrir. Quase num teleporte, eu já estava saindo para outro encontro. Este não era tão pequeno, e seu membro estava muito mais duro. E não foi nada carinhoso. Pela primeira vez, pensei em encerrar a jornada. Mas não... Se eu ainda tinha dúvidas, é por que poderia aguentar mais.

 Que viesse o próximo. 

Já não podia me lembrar direito do primeiro, quando o quinto, ou sexto, me recebeu. Como todos os outros, conhecido de internet ou de encontros casuais andando pela rua, trocas rápidas de telefones, um encontro rápido em um motel, onde nem os nomes nem as fisionomias eram lembrados direito. Vai saber, são todos iguais, quando querem a mesma coisa. Tanto faria.

Ele já esperava no estacionamento. E dalí, pro Drive In, onde a recepcionista deu aquele pedaço de papel higiênico e uma camisinha a ele. Pior foi ter visto ele "pegar". Suspirei. Que fosse rápido. Mas infelizmente não foi. Ele quis tudo, de preliminares a trocas de cavidades. Não houve um orifício de meu corpo que ele não tenha enfiado aquele membro interminavelmente duro, e muito robusto. Eu não podia colocá-lo inteiro na boca, pois era muito grosso. Ainda assim, ele insistia. E por já estar muito ardida e machucada, eu pensei em desistir no meio do caminho. Mas não poderia fazer isso, ainda teria mais pelo menos um na lista. Ele acabou, e parti para o próximo.

O último, aquele velho senhor que me abordou na pracinha enquanto eu lia um romance de banca, e que me falou tanto de sua falecida mulher, a quem muito lembrava quando ela era jovem, e que acabou gozando na minha mão enquanto o masturbei no playground, apenas para poder calar sua insuportável boca e poder continuar lendo... Hoje ele mataria a saudade de sua falecida mulher. E me chamou pelo nome dela pelos longos 5 minutos que levou para gozar com seu membro flácido, mas ainda firme o suficiente para entrar um pouco na minha vulva, que estava terrivelmente machucada. Foi quase um alívio.

Saí sem me despedir, ele ainda parecia convulcionar naquele velho apartamento, em espasmos de quem não gozava em uma mulher havia muito tempo, nos seus aparentes 70 anos. O porteiro abriu a porta do velho prédio, e me atirou um beijo, dizendo para "voltar sempre". Nojento. Jovem e belo. Mas nojento. Quem sabe noutra ocasião, hoje eu mal podia andar.

Recorri a lista, para ver se havia um próximo, e ao parar de andar, não tive dúvidas: não tinha mais condições de prosseguir. Mas não me sentia satisfeita. Nem de longe me sentia capaz de estar satisfeita. Apenas não tinha mais vontade de prosseguir.

Resolvi voltar para casa.

Ao chegar, deitei-me no sofá, senti o couro frio me acariciar, e comecei a tentar montar as cenas na mente. Da bolsa, tirei as camisinhas que foram usadas para que eu fosse usada. As joguei sobre o couro negro, olhando o esperma vertido dentro delas. Tentei lembrar de cada uma durante seus usos, mas não era possível saber direito qual era qual. As lembranças estavam confusas. Então descobri quantos foram. Foram sete. Sete homens sentiram prazer no meu corpo. E nenhum foi capaz de fazer-me sentir. Porém, os sete juntos, me fizeram sentir-me plena. E um lixo.
 
Já perto de meia noite, ouvi a porta abrir. Deu tempo de esconder as camisinhas de volta na bolsa, antes que meu marido entrasse porta a dentro, chamando meu nome, assustado.

-"Ana, você está aí? Meu Deus, te procurei a noite toda... Não suma mais assim, Ana, nunca mais me faça pensar que me deixou". - E seus prantos brotaram. Tive pena, e amor. Vontade de abraçá-lo e proteger-lhe. Eu o amava tanto, aquele homem tão digno, tão bom e amável... E respondi-lhe:
-"Depois do que você me fez? NUNCA MAIS ATENDA O TELEFONE QUANDO AQUELA MULHER LIGAR". 
-"Mas amor, ela é minha colega, já te disse que nunca tivemos nada, somos apenas colegas e amigos..."
-"NÃO. Amigos não são mais, não vou admitir meu marido amigo daquela mulher".
-"Nunca mais falo com ela se você não quiser, amor. Nunca mais. Mas não me assuste mais assim".

As palavras dele desceram como doce na minha garganta. O beijei.

-"Faz amor comigo, Ivan. Me ame". - E o puxei pela mão, para o sofá grande, já me despindo -"Mas... com calma. Com muita calma. Como se fosse minha primeira vez, apenas me beijando"... - Sentir a carne quente dele entrar em mim como um espeto em brasa, senti cada ranhura que me foi aberta pelos sete homens que fiz gozar... E fechei os olhos, tentando imaginá-los... Cada estocada firme e convulsiva de Ivan me trazia um homem à mente. E agora sim, eu podia lembrar claramente dos detalhes. E mais uma, e outra, e quando senti a dor de uma virgem ser deflorada, finalmente gozei. Larga e alagada, agora vertia o esperma de Ivan.

E foi como sempre foi. Ele nunca foi o primeiro de uma noite ou de um dia. Vez ou outra também não foi o último.

-"Eu te amo, Ivan. Você é o homem da minha vida. Mas nunca mais me deixe com ciúmes".
-"Não deixo, meu amor, não deixo..."

E era bom que não deixasse. Sempre detestei traí-lo por raiva. Preferia fazê-lo apenas por amor. Ainda que ele jamais soubesse, sempre foi por amor.







2 comentários:

  1. keronamroadaputinha11 de agosto de 2012 01:15

    Nossa, que conto lindo! É real ou um sonho? Eu sonho ter uma esposa vadia assim... mas mulheres assim são tão difíceis de se achar... aqueles que as encontram, é como ganhar sozinho na megasena acumlada.

    Adorei!
    keronamoradaputinha@gmail.com

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  2. Adorei, mas devia ter esfregado as camisinhas na cara dele, uma a uma, assim ele saberia o valor da sua amanda esposa, ou seja seria apenas uma vagabunda sem valor para sete, e tudo para um.

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